Voltar Visita ao Johns Hopkins Hospital – Baltimore/MD


Luis Gustavo Cattai Zamboni

 

        Inaugurado em 1889, o hospital Johns Hopkins recebe este nome em homenagem ao empresário doador da verba para a construção do prédio. Mais de 100 anos depois de sua inauguração o hospital cresceu e hoje tem 37 prédios, 226 clínicas e mais de mil leitos espalhados em quase 180 mil m2 de área construída, uma equipe de 1600 médicos, 600 residentes e 1500 enfermeiros. Com toda esta estrutura e com profissionais altamente capacitados, tornou-se umas das principais referências em saúde nos Estados Unidos e lidera a lista da U.S. News & World Report por 19 anos consecutivos.

baltimore

        A otoneurologia conta com nomes de reconhecimento internacional como David Zee, David Newman-Toker, Daniel Gold, Charles Della Santina e John Carey. John Carey é umas das principais referências em cirurgia para deiscência de canal semicircular superior. Com sua experiência no assunto, avalia cuidadosamente cada paciente para chegar a conclusões ponderadas, privilegiando diagnósticos otoneurológicos diferenciais antes de optar pela cirurgia.

           Na neurologia, acompanhei de perto o trabalho dos doutores Daniel Gold e Roksolyana Tourkevich, juntamente com os fellows do setor. Além do conhecimento em otoneurologia realizam exames direcionados em neuroftalmologia. O protocolo de avaliação envolve anamnese e exame físico detalhados, auxílio de video Frenzel nas pesquisas de nistagmo, vídeo head impulse test (VHIT) e pesquisa de campo visual (Humphrey), os dois últimos por um profissional com treinamento. Geralmente o paciente já vem com diversos exames prévios, e sai com diagnóstico e proposta de tratamento na primeira consulta, demonstrando o potencial de resolubilidade do serviço.

          O serviço conta ainda com um grande e moderno laboratório de pesquisa (VORLAB – https://vorlab.jhu.edu/) coordenado pelo doutor Amir Kheradmand, que dispõe de vasta estrutura de tecnologia aplicada para o estudo dos movimentos oculares e sua integração com o sistema vestibular.

         Uma das grandes contribuições do serviço é o estudo clínico da tontura no atendimento emergencial. David Newman-Toker é um grande estudioso do diagnóstico clínico emergencial e de erros médicos. É de sua autoria o protocolo HINTS (Head impulse, nystagmus, skew), importante avaliação em grupos específicos de pacientes de pronto socorro que tem objetivo de diferenciar precocemente as vestibulopatias periféricas de centrais, em especial o acidente vascular encefálico (AVC) de fossa posterior.

        Foi um período de grande aprendizado e muito bem aproveitado. Agradeço muito ao apoio da eqipe, especialmente aos doutores Daniel Gold, Roksolyana Tourkevich e John Carey, com quem passei a maior parte do tempo e tive excelentes experiências; Patricia Ricks, que foi muito gentil e colaborou com todas as informações necessárias; e a doutora Roseli Bittar, que realizou o intermédio com o doutor Newman-Toker para a realização do estágio.

 

 


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