Voltar ENXAQUECA

Prof. Dr. Sérgio Albertino

Mariton Borges de Souza

 

 

Provavelmente a enxaqueca esteja presente na vida dos seres humanos desde sua existência no nosso planeta.  Trata-se de uma cefaleia primaria, isto é, não apresenta um substrato orgânico, sendo seu diagnóstico baseado na anamnese, nos critérios adotados pela Sociedade Internacional de Cefaleia, sua evolução clínica e resposta a medicamentos específicos para esta afecção. Assim sendo dispensa exames complementares de imagens, salvo para diagnóstico diferencial ou para pesquisa de outra patologia concomitante.

A enxaqueca é uma afecção de alta prevalência na população, cujo início ocorre frequentemente na infância e adolescência, sendo mais frequente no gênero feminino.A enxaqueca muitas vezes torna-se incapacitante acarretando um problema importante para os doentes com grande repercussão econômica e social.

O The Global Burden of Disease survey 2010, classificou como a terceira doença mais prevalente e a sétima causa específica de incapacidade.

Para seu correto diagnóstico utilizaremos os critérios da Classificação Internacional das Cefaleias 3° Edição – 2014 – tradução portuguesa pela Sociedade Brasileira de Cefaleia.

A enxaqueca tem dois subtipos principais. A enxaqueca sem aura e a enxaqueca com aura.

 

1.1 Enxaqueca sem aura

Termos utilizados anteriormente – enxaqueca comum; hemicrania simples.

 

Descrição

Perturbação cefalálgica recorrente manifestando-se por episódiosque duram de 4 a 72horas. Características da cefaleia são localização unilateral,pulsatilidade, intensidade moderada ou grave, agravamento por atividade física rotineira, associada a náuseas e/ou fonofobia e fotofobia. (anexo)

Enxaqueca em crianças e adolescentes (menores de 18 anos) é mais frequentemente bilateral do que em adultos; a cefaleia unilateral, geralmente, surge no final da adolescência, usualmente frontotemporal. Enxaqueca sem aura tem frequentemente relação com período menstrual.

Enxaqueca sem aura é a doença mais propensa a acelerar o uso excessivo de medicação sintomática analgésica.

Imagens do fluxo sanguíneo cerebral regional não mostraram alterações sugestivas de pressão alastrante corticais (DAC) durante os episódios de enxaqueca sem aura. Isto contrasta com a oligoemia alastrante patognomónica da enxaqueca com aura.

 

1.2 Enxaqueca com aura

Termos utilizados anteriormente enxaqueca clássica; enxaqueca oftálmica, hemiparestésica, hemiplégica ou afásica; enxaqueca acompanhada, enxaqueca complicada.

 

Descrição

Episódios recorrentes, com minutos de duração, unilaterais e completamente reversíveis, de sintomas visuais, sensitivos ou outros atribuíveis ao sistema nervoso central que, geralmente, se desenvolvem gradualmente e, em regra, são seguidos por cefaleias com característica de enxaqueca e sintomas associados. (anexo 2)

 

Comentários

A aura é um complexo de sintomas neurológicos que ocorre geralmente antes da cefaleia. A aura visual é a mais comum ocorrendo em 90% dos doentes. Pode ter início após a dor ter começado, ou prosseguir para a fase de cefaleia. Apresentam-se muitas vezes com um espetro de fortificação: figura em forma de ziguezague podendo se alastrar gradualmente. Seguem-se em frequência as perturbações sensitivas sob a forma de picadas, formigamentos ou dormências que se deslocam lentamente a partir do ponto de origem. Menos frequentes são as perturbações da fala.

 

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Escotoma

Muitos pacientes que têm episódios de enxaqueca com aura também tem episódios de enxaqueca sem aura.

Sintomas premonitórios – podem ter início horas ou dias antes dos outros sintomas de um episódio de enxaqueca. Estes incluem várias combinações tais como fadiga, dificuldade de concentração, rigidez cervical, sensibilidade à luz e/ou ao som, náuseas, visão turva, bocejos e palidez. Os termos “pródomos” e “sintomas de alerta” devem ser evitados, pois muitas vezes usados erradamente para incluir aura.

Antes ou simultaneamente com o inicio dos sintomas de aura, o fluxo sanguíneo cerebral regional está diminuído no córtex cerebral correspondente a área clinicamente afetada. Redução do fluxo de sangue, geralmente, começa posteriormente e se alastra anteriormente, geralmente abaixo do limiar isquêmico. Depois de uma ou várias horas, ocorre na mesma região uma transição gradual para hiperemia. A depressão cortical alastrante de Leão é provavelmente o mecanismo subjacente.

 

 

 

REFERÊNCIAS

1 – Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS) and C. Road, “The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition (beta version),”Cephalalgia, vol. 33, no. 9, pp. 629–808, 2013.

 

2 – Bordini CA, Roesler C, Oliveira DA, Carvalho DS, Macedo DD, Piovesan E, MelhadoEM, et al. Recomendações para o Tratamento da Crise Migranosa – Um consenso brasileiro. Headache Medicine. 2014;5(3):70-81.

 

3 -Leão AAP, Morison RS. Propagation of spreading cortical depression. J Neurophysiol 1945;8:33-45.



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