Voltar TRATAMENTO DA ENXAQUECA

O tratamento da enxaqueca tem como finalidade fazer a prevenção dos episódios de cefaleia e sintomas associados, diminuir a frequência, assim como abortar os episódios de cefaleia.

Por ser uma doença muitas vezes incapacitante, o tratamento da enxaqueca acarreta uma melhora importante na qualidade de vida dos doentes. O tratamento inicia com esclarecimento ao doente e aos familiares sobre sua afecção, remoção de fatores desencadeadores, uso de medidas farmacológicas e alternativas não farmacológicas.

Fatores como idade, gênero, doenças associadas, uso continuo de fármacos pelo doente para outras afecções, estado psicológico e adesão ao tratamento proposto devem ser considerados na escolha da terapia farmacológica e não farmacológica, personalizada para obter o melhor resultado.

As medidas essenciais para o controle da doença visam inicialmente alertar para os fatores desencadeadores:

  • evitar desencadeantes alimentares (aspartame, chocolate, cafeína, álcool);
  • melhorar a qualidade de sono;
  • praticar atividade física moderada;
  • reduzir o estresse;
  • regularizar as condições hormonais femininas;
  • evitar o uso excessivo de analgésicos;
  • manter padrão de hidratação corporal adequada.

Orienta-se também o paciente para a realização de um diário da enxaqueca, contendo também a relação dos medicamentos utilizados.

Repouso em local com baixa luminosidade e silencioso colaboram no alívio da dor.

A reabilitação vestibular pode ser utilizada isolada ou combinada com o tratamento farmacológico nos casos de instabilidade ou vertigem induzida pelos movimentos.

Tratamento farmacológico – os medicamentos podem ser utilizados nos epispódio de crises e também como profiláticos. A escolha das drogas vai depender da experiência do especialista e das características do paciente.

Tratamento profilático

Indicado quando os ataques são frequentes (acima de três episódios por mês) ou muito severos.

  • Betabloqueadores
    • Propranolol
    • Atenolol
    • Metoprolol
      • Muito eficazes
      • Mecanismo de ação não está totalmente esclarecido na enxaqueca

Efeitos adversos:

  • Fadiga – bradicardia – hipotensão – impotência sexual – broncoespasmos
  • Contra indicações: doença pulmonar (asma) – insuficiência cardíaca congestiva – bradicardia – hipotensão – doença cérebro-vascular
  • Antidepressivos tricíclicos
    • Amitriptilina
    • Nortriptilina
    • Mecanismo de ação: bloqueio de recaptura de monoaminas, principalmente norepinefrina (NE) e serotonina (5-HT), em menor proporção dopamina (DA).

Efeitos adversos:

  • Ganho ponderal – Aumento do apetite – Hipotensão postural – Sonolência – Retenção urinária – Disfunção erétil – Glaucoma de ângulo fechado – xerostomia
  • Contra indicação absoluta – Associação com Inibidores da monoamina oxidase – IMAO
  • Bloqueador de canal de cálcio
    • Flunarizina

Efeitos adversos:

  • Sonolência – Ganho de peso – Depressão -Efeitos extrapiramidais – parkinsonismo.
  • Inibidores seletivos da receptação da serotonina
    • Fluoxetina
    • Venlafaxina
    • Escitalopram
    • Sertralina
    • Paroxetina
    • Duloxetina

Efeitos adversos:

  • Náuseas – Anorexia – Insônia – Baixa da libido
  • Anticonvulsivantes
    • Ácido valpróico
    • Divalproato de sódio
    • Gabapentina
    • Topiramato

Efeitos adversos:

  • Astenia – Sonolência – Tremor – Ganho ponderal – Alopecia- alterações cognitivas – Ataxia – Pré-disposição a Nefrolitíase (apenas com topiramato)

Tratamento da crise migranosa

Geralmente a cefaleia está associada a náuseas e, às vezes, vômitos. Portanto, está indicado o uso de antieméticos para melhora da motilidade gástrica e facilitação da absorção da medicação para o tratamento da dor.

  • Antieméticos – anti-histamínicos
    • Meclizina
    • Dimenidrinato

Efeitos adversos:

  • Sonolência e sedação – Boca seca – Retenção urinária
  • Evitar o uso em caso de: asma – enfisema – glaucoma
  • Antieméticos antagonista do receptor da dopamina
    • Metoclopramida

Efeito adverso:

  • Reações extrapiramidais
  • Antiemético inibidor do receptor 5-HT3
    • Ondansetrona
  • Medicamentos com efeito abortivo nas crises enxaquecosas:
  • AINEs: ibuprofeno, naproxeno, cetorolaco
  • Corticosteroides: prednisona, dexametasona, hidrocortisona
  • Triptanos: Sumatriptano; naratriptano; zolmitriptano; rizatriptano.

 

REFERÊNCIAS

1 – Headache Classification Committee of the International Headache Society (IHS) and C. Road, “The International Classification of Headache Disorders, 3rd edition (beta version),”Cephalalgia, vol. 33, no. 9, pp. 629–808, 2013.

2 – Bordini CA, Roesler C, Oliveira DA, Carvalho DS, Macedo DD, Piovesan E, Melhado  EM, et al. Recomendações para o Tratamento da Crise Migranosa – Um consenso brasileiro. Headache Medicine. 2014;5(3):70-81.

3 – Leão AAP, Morison RS. Propagation of spreading cortical depression. J Neurophysiol 1945;8:33-45.



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